Redação empresarial

 

Os textos produzidos no ambiente das empresas têm como objetivo proporcionar uma comunicação eficaz entre todos os grupos que formam a rede de relacionamentos. Por esse motivo, o conteúdo de toda e qualquer mensagem deve ser objetivo, claro e gramaticalmente correto.

Afinal, nada pior que veicular mensagens truncadas e que gerem ruídos na comunicação. Problemas como informações desencontradas ou incompletas, ou com erros gramaticais podem prejudicar a imagem da empresa, e não só do digitador. Isso ocorre porque, no ambiente profissional, a escrita é coletiva, isto é, o redator não escreve em seu próprio nome, mas em nome da empresa na qual trabalha.

Seja qual for o meio de comunicação utilizado – circular, memorando, relatório, carta, e-mail, WhatsApp etc. –, revisar o texto faz toda diferença. A empresa só tem a ganhar.

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AMBIGUIDADE: INTENCIONAL OU ACIDENTAL?

 

Ontem à noite, 21/4/2016, o Yahoo postava a seguinte manchete:
“Schahin confirma propina de US$ 2,5 milhões a Moro”. Entendi direito? Moro envolvido no recebimento no propinas? – pensei.
Imediatamente, procurei mais detalhes a respeito dessa notícia. Abrindo o link, ela foi apresentada de uma outra maneira: “Schahin confirma a Moro propina de US$ 2,5 milhões a diretores da Petrobras”.
Você conseguiu perceber que as informações são diferentes? Percebeu que, intencionalmente ou não, foi retirada uma informação importante? Por que isso aconteceu?

Na manchete inicial, fui levada a uma interpretação errônea pelo simples deslocamento da expressão “a Moro”. Será que essa alteração foi intencional? Será que queria confundir os leitores?

A essa possibilidade de dupla interpretação dá-se o nome de AMBIGUIDADE. Um exemplo interessante que encontrei há alguns dias foi o título de uma campanha promovida entre os moradores de um condomínio. O título da campanha era: “Consumo de água consciente”. Claro que uma das interpretações é absurda, mas nem por isso descarta a ambiguidade presente nessa construção frasal.

O que importa aqui é demonstrar o quanto é importante a releitura de um texto antes de considerá-lo pronto. Esse cuidado pode contar pontos a seu favor. Anote aí!

Planejamento textual: por que fazer?

Este texto é dedicado a você, que tem buscado desenvolver sua prática de produção escrita. Ele visa responder a um questionamento diário de muitos vestibulandos, candidatos a concursos e profissionais que têm a necessidade e, muitas vezes, a urgência de produzir textos de qualidade. Inicialmente, é preciso admitir que ninguém consegue, logo de primeira, produzir um texto perfeito; sempre há algo a ser aprimorado. Planejar o texto é fundamental para ter sucesso. Para isso deve-se refletir sobre três questões: o quê, para quê e para quem escrever.

Para saber o que escrever, a leitura é a resposta. Mas leitura, aqui, deve ser entendida como uma prática mais ampla que não se restringe ao ato de decodificar informações escritas. Leitura do mundo. Olhar com criticidade todas as informações a que se tem acesso. Buscar outras fontes, pesquisar, discutir temas. Enfim, ter conteúdo.

Nos concursos públicos e em vestibulares, independentemente da tipologia exigida, a adequação às regras da norma culta, o uso dos sinais de pontuação e a utilização dos elementos que garantam coesão e coerência são aspectos fundamentais. O texto é o instrumento usado para avaliar do candidato tanto seu conhecimento quanto sua habilidade linguística.

A ideia clara de para quem escrever deve nortear a seleção do nível de linguagem, da escolha lexical e da profundidade do texto. Relatórios e outros textos técnicos, por exemplo, exigem o uso de um vocabulário específico e a observância de alguns parâmetros. Entretanto, em outros contextos, a linguagem simples – o que não significa vocabulário pobre – vai garantir a eficácia de seu texto.

Por fim, é sempre bom levar em conta a máxima “o menos é mais”: construa frases na ordem direta, com objetividade e clareza. O excesso de advérbios, a repetição desnecessária de vocábulos e os períodos muito longos podem prejudicar a fluência do texto. Planeje, escreva, avalie sua produção, modifique, aprimore. Tenha sucesso!

 

Use o texto a seu favor

Redigir um currículo, elaborar uma carta de apresentação, responder a um questionário em uma entrevista de emprego são situações em que o candidato pode ganhar ou perder pontos. Isso porque a qualidade do texto dá muitas pistas a respeito de quem o escreveu. A presença de erros ortográficos ou gramaticais, por exemplo, é um descuido que pode comprometer a chance de conseguir a tão sonhada vaga.

Um texto bem escrito, mesmo que com linguagem simples, evidencia o cuidado do candidato. Ao contrário,  palavras escritas incorretamente, frases com erros de concordância e outros deslizes denunciam a falta de atenção do candidato e, pior ainda, evidenciam o seu despreparo para ocupar uma vaga que exija habilidades linguísticas. Situações muito comuns são aquelas em que o candidato escreve exatamente como fala, sem perceber que a situação de comunicação, naquele momento, é bastante diferente daquelas em que não se cobra a observação à norma culta.

Na realidade, quando se avalia um candidato, não está em jogo somente o que ele diz, como se apresenta ou quais são suas referências, por exemplo. Ao ler o que ele escreveu, o avaliador observa o conteúdo e a forma, as quais, feliz ou infelizmente, deixam emergirem características muito próprias do candidato. Se ele não foi muito atento ao produzir o texto, por que seria atento no cumprimento de tarefas simples do cargo que pretende ocupar? Se não foi cuidadoso ao selecionar o vocabulário do texto, por que o faria no momento de atender um cliente?

Portanto, deve-se sempre estar atento ao que se escreve, tanto em relação ao conteúdo quanto à forma. No caso de dúvidas, a solução é buscar respostas em um dicionário ou em uma gramática. Afinal, em meio a tanta concorrência, a qualidade é um diferencial.